Não podia ter deixado acontecer, pensou Caroline, no caminho do supermercado.
Sunday, March 11, 2012
Wednesday, January 25, 2012
"Me atormentan los momentos en los que no he sido capaz de actuar como esperaba de mí mismo. Esos errores de comportamiento y de apreciación me siguen atormentando. Me hacen pensar que no soy el gran hombre que siempre creí ser." (Paul Auster)
Monday, January 23, 2012
"E quando despertei, chorei de novo. Logo percebi que queria recordar mais coisas para poder continuar chorando. Então parei de chorar." (p. 198, "Lucrecia")
"Eu estava destinado a só me encontrar com uma parte das pessoas e, além disso, por pouco tempo, como se eu fosse um viajante distraído que também não soubesse para onde ia."(p.164, "La casa inundada")
Saturday, January 21, 2012
- Diga-me a verdade: por que a mulher do seu conto se suicidou?
- Oh, seria preciso perguntar a ela.
- E o senhor não poderia fazer isso?
- Seria tão impossível quanto perguntar alguma coisa à imagem de um sonho.
(p.72, "Nadie encendía las lámparas")
"Enquanto eu não havia deixado totalmente de ser quem era, e enquanto não era quem estava destinado a ser, tive tempo de sofrer angústias muito particulares. Entre a pessoa que fui e o sujeito que ia ser, restaria uma coisa em comum: as recordações. Mas, à medida que as recordações iam sendo do sujeito que eu seria, apesar de conservarem os mesmos limites visuais e organização semelhante dos dados, iam tendo uma alma diferente. No sujeito que eu seria, começava a se insinuar um sorriso de prestamista, diante da valorização das recordações que faz quem as leva para empenhar. Para as mãos do prestamista das recordações pesava outra qualidade delas: não o passado pessoal, carregado de sentimentos íntimos e particulares, mas o peso do valor intrínseco." (p. 50-51, "El caballo perdido")
Sunday, January 15, 2012
Sunday, January 08, 2012
"Ser vigoroso e ativo é não refletir muito, ir depressa e com serenidade ao encontro do que precisa ser feito." (Jakob Von Gunten, p. 115)
"Como são breves as despedidas. Quer-se dizer alguma coisa, mas, bem na hora, se esquece o apropriado a dizer e não se diz nada, ou se diz alguma idiotice. Despedir-se é horroroso, para quem parte e para quem fica. Momentos assim sacodem a vida humana, e sentimos vividamente o nada que somos." (Jakob Von Gunten, p.120)
"Cantar é orar." (Jakob Von Gunten, p.138)
"Sinto que a vida demanda emoção, e não reflexão." (Jakob Von Gunten, p.148)
Mariana está esperando na garagem do prédio. Eric está atrasado; pediu para ir ao banheiro. O mais engraçado: "pediu". Mariana e Eric têm um jantar marcado na casa da Alessandra e do Rafael. Eric não faz tanta questão assim. Mas prefere preservar o fim de semana, conhece o barulho de um "não". Eric tem um mal: por receio, às vezes preguiça, leiloa seus 10 próximos dias, alheio ao risco de serem 10 anos. De vez em quando, vale a pena. Noutras, fica mais velho, com menos tempo de poder fazer, numa segunda chance, depois.
Mariana quer jantar com Alessandra. Eric e Rafael foram bons amigos. Escreveram um blog juntos e acreditaram que veriam a Copa de 2014 do mesmo sofá. Até parecem com Fábio e Andrade, que trabalharam juntos, foram padrinhos um do filho do outro e se falaram por meio de advogados quando a imobiliária quebrou.
Eric está pensando sobre o que falar com Rafael, enquanto Mariana e Alessandra falam de um programa de televisão. Está olhando os objetos em cima de mesa de centro. Um livro com capas de disco de rock. E duas velas. Comenta que está com sono; muito trabalho. Explica que viajou para Curitiba. Alessandra ri alto e diz que tirou uma foto incrível. Eric não faz menção de querer ver. Rafael serve mais cerveja. De alguma maneira, anda tudo meio estranho. Percebem um no outro que acidentes acontecem. Todos têm razão, ninguém quer (ou precisa) ter culpa.
Na terceira cerveja, Eric coça o cotovelo. Pensa num dia de 92. Como admirava o próprio pai. Toca a campainha; a pizza chegou. No elevador, com o Rafael. Deixa que eu tenho trocado.
O que será que aconteceu?
Saturday, December 31, 2011
Tinha tempo que Alexandra escrevia e-mails, posts e recados, perguntando por mim, perguntando pelos amigos em comum, por tudo que andava diferente. Perguntava se eu ainda estava por aí, se alguma coisa era definitiva. Lia tudo, absolutamente cada linha, cada palavra, com atenção compatível com os anos que brindamos entre conversas sobre a genealogia das bengalas e picnics noturnos em parques da cidade. Alguma coisa acontecia, tem acontecido frequentemente: lemos o texto do e-mail e imediatamente ficamos distantes, até entregar a saudade, quando existe, a uma preguiça danada e invencível. Um preguiça que arrisca falar em nome dos sentimentos errados.Alexandra não lê meus posts, não lê meus recados, não lê meu blog. Só quer ler os e-mails que não respondo. Vejo uma propaganda na televisão, que quase não vejo; um enredo sobre o verão, a vontade de reconstruir o mundo lá fora. Penso em alguma coisa para dizer no e-mail. Silêncio. Diria muitas coisas na sala de casa, na porta do prédio, as pessoas bebendo no bar a pouco mais de uma quadra. Acho que diria.Sempre que estou cansado, cansado, calado, querendo falar pouco, jogando palavras para mim mesmo, coloco uma música; melhor se sei a letra. Canto comigo. Pouca coisa tem a mesma força e desata a avalanche de uma música que a gente canta com a gente mesmo. Reparo de novo: o corpo mexe solto, o olho embaça com duas ou três lágrimas que não existiam agora mesmo, e a melodia invoca a ideia do Deus que dança barriga adentro. Li em algum lugar.Alexandra, aprendi a receita de um bolo de fubá. São 2 xícaras de chá de açúcar, 2 xícaras de chá de trigo e só uma 1 xícara de chá de fubá. É uma delícia; lembra muito o que a gente comia em 2003.
