Tuesday, January 09, 2007


Numa manhã de sol, os olhos ficam pequenos, enjoados de paisagens tão claras. Saímos de casa em busca de sombra, porque o calor desfaz em partes, e queria ter certeza de que viverei inteiro. Mas não é. O paralelepípedo na calçada da esquina está sempre fora do lugar. Era para ser uma guia lisa, plana e colorida. No sonho bom da noite bem dormida, buraco nenhum desvia meu caminho. Vesti a camiseta “amigo piedra”. Em La Plata, as nuvens são pequenas. Perto do mundo, que fica grande. Nas minhas férias de outono, vou arrebentar a cerca. A maior praia do mundo existe em Bangladesh. E a gente passa a vida querendo apostar o presente na onda suja do nosso litoral norte. Olhando a risada dos outros, e de cara cheia, até pensei em acreditar. Arrumadinha, passa sem susto. O Pingo d’Ouro da clínica de cirurgia plástica anda desamparado, coitado. Com um ramo totalmente desgovernado. Acordei mais jovem em dois mil e sete. Os bolsos da calça me contaram, querem pesar com novidade. Começaram a escorrer, manchando a bainha; dei risada. A calça arrastou no chão, descobri um Broken Social Scene latino. “É isso”, pensei, “quero atravessar esse ano com roupa manchada”.
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