Monday, May 01, 2006


Aquele barulhinho, tão escutado no escuro, com o abajour de luz azulada aceso, era, na verdade, música. "Melos" era isso, não? Ritmo que acalma, domestica a alma, cala os deuses e os diabos. Mas era um barulhinho tão regrado, de tempo tão medido, que era música, era paraíso costurado. Então, Elina, Elina, fechou o olho, porque música que era, era música que ensonhava. O canto da sereia? E, com pincel na mão, pintando na escuridão, pensou que, sim, que cada ponta, quando borrava no traço dele, Dufy, o predileto, era sonho desenhado. Pedaço entre o céu e a terra, a asa e o corpo inteiro. Isso: cada gota, porque cada sopro do clarinete, que era barulhinho, em melos, era também esse prefixo de nome pen, ali, aqui, ou quase... Penumbra.
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